Chegará o teu dia!

Janeiro 11, 2009

1364051936

Tu sabes que as lágrimas me caem, que a dor me estrangula e que a mágoa me sufoca. E sabes que nada intento contra isso!!! Sabes que me finjo manipulada, usada e cercada.
Conheces bem as letras que escrevo e te dou a ler,para te castigar e te encher de dúvidas. Mas não chega! Não é só assim que expio os teus pecados.
Preciso de mais dor nos teus olhos – para que os meus sorriam. Preciso de um trago amargo no teu sorrir – para que os meus lábios se reconheçam doces. Preciso que as tuas mãos se tornem trémulas para que as minhas te escrevam calmamente.
Chama-me cruel – não me importo!!! Apelida-me de desumana, adjudica-me a vingança e põe a injustiça como minha amante – ficarei então, mais calma! Saberei nesse exacto momento, que o mundo se equilibra. Saberei – quando olhar para ti, e te vir também pouco lúcido – que o cosmos tende a fazer proporção. Aumentando o teu desequilíbrio, diminuirá o meu.

Estarás um dia, impaciente com a minha passividade! Ainda é cedo! – Eu sei disso. Ainda adormeces tu calmamente, enquanto as minhas noites se resumem a horas de insónias. Vamos aguardar! Chegará o dia em que te direi com macabra suavidade: até amanhã, meu amor! Te darei o formal beijo de boas noites, e tu não vais adormecer. E vais permanecer neste desassossego que tantas vezes te transcrevo, mesmo a meu lado, sem eu perceber. E vais querer que eu me compadeça do inferno que serão as noites de solidão. E eu não vou estar disperta para isso.


Vis pecados

Janeiro 8, 2009

gulliver12

Faz como quiseres, meu amor! Deleita-te com as mil formas que encontras, e põe em prática os vis pecados. Vadia com elas à vontade, e deixa-as serem as tuas damas. Sabes que é desprezível a forma como ages. Sabes que abomino as tuas madrugadas, e que detesto quando chegas inerte, para junto de mim. Vens frio…gelado…caído sobre ti mesmo. E triste!!! 

Quando chegas a fingir que é do trabalho essa lassidão, não me sorris porquê, meu amor??? Eu sei que te cobres de astúcia. Sei que finges. Sei que fantasias com elas. Crês em certos momentos que elas são aquilo que eu sou. E fazes de mim uma delas. Burlas o meu ego, despes o meu orgulho e matas a minha lucidez. Mas voltas!!! E voltas curvado, pesado…já gasto. E eu anseio meu amor. Anseio pela aurora, noite após noite. Com ela vem o desfecho desse momento de tristeza. E a luz do dia vem colocar-te a meu lado. E o mundo vê-nos de mãos dadas. E nessa altura, eu quase esqueço que me fazes meretriz e as coroas de esposas.

Repara meu amor: vives num subtil engano. Elas – as que amas de noite - vivem de dia num covil. E eu, que pensas estar apagada e consumida, escondo-me de ti, de dia, num covil. E de noite espero-te…até tão tarde!!!