Cárcere!!!

Nesta madrugada, sou chuva inútil, que não molha o teu corpo nem escorre pelas tuas entranhas. Sou o quarto-minguante que não faz sombra na concavidade do teu ventre, nem se reflecte no teu olhar. Sou o nada que sentes! A coisa pendente!… O impasse… a desfaçatez. A incongruência de máscara pousada no rosto que sábia e levemente desgastaste. E nós duas, somos a soma imperfeita, a simbiose mal-vista, a carta marcada.

Naquelas tardinhas de sol envergonhado, fomos a delícia pontiaguda, a cruz invertida, o grito ao alto e a calma espantada.

Quero fazer contigo, o oposto invertido!

Quero ser contigo o ás de copas, a gata assanhada, o luar do dia, e o sol abespinhado! Quero ver-te gemer de mansinho… como quem chama pela inacção do auge da noite em que te foste…e me acenaste.

Desejo muito ver-te tremer e implorar, rebolar e saborear, contorcer e arquejar. Pelo momento que acabo de te descrever, valeria a pena ser o disfarce completo, a nudez envergonhada ou a liberdade que se encerra em cárcere.

4 Respostas para “Cárcere!!!”

  1. Damiana Diz:

    Mas que maravilha. Que bálsamo para os sentidos e para a imaginação.
    Também eu procuro diaria e avidamente aquilo que escreves, na esperança, quiçá vã, de um dia poder ter algo assim, tão intenso, tão vivido…
    Parabéns. Continuo, sempre, a gostar do que escreves. Obrigada.

  2. trueF Diz:

    Que pena… eu não sou Laura… ou ainda tería uma restia de esperança!
    Beijo e boa sorte no teu idilio

  3. Fernanda Diz:

    “Desejo muito ver-te tremer e implorar, rebolar e saborear, contorcer e arquejar. ”

    Meu deus!
    Quanto prazer!

    Muito bom aqui!
    Me senti em casa ;-)

    Voltarei mais vezes!!!

  4. RUI_SPT Diz:

    Não comento… As minhas palavras podem ferir a sensibilidade do que está implícito naquilo que me proporcionou um momento ímpar de degustação.

    Beijinho para ti

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