Cárcere!!!

Agosto 24, 2008

Nesta madrugada, sou chuva inútil, que não molha o teu corpo nem escorre pelas tuas entranhas. Sou o quarto-minguante que não faz sombra na concavidade do teu ventre, nem se reflecte no teu olhar. Sou o nada que sentes! A coisa pendente!… O impasse… a desfaçatez. A incongruência de máscara pousada no rosto que sábia e levemente desgastaste. E nós duas, somos a soma imperfeita, a simbiose mal-vista, a carta marcada.

Naquelas tardinhas de sol envergonhado, fomos a delícia pontiaguda, a cruz invertida, o grito ao alto e a calma espantada.

Quero fazer contigo, o oposto invertido!

Quero ser contigo o ás de copas, a gata assanhada, o luar do dia, e o sol abespinhado! Quero ver-te gemer de mansinho… como quem chama pela inacção do auge da noite em que te foste…e me acenaste.

Desejo muito ver-te tremer e implorar, rebolar e saborear, contorcer e arquejar. Pelo momento que acabo de te descrever, valeria a pena ser o disfarce completo, a nudez envergonhada ou a liberdade que se encerra em cárcere.


O que resta??? O quê, Laura???

Agosto 23, 2008

Esta manhã o telefone tocou…e a tua doce voz ouviu-se do outro lado da linha. Meiga, meio rouca, como quem ainda não se deitou…ou dormiu pouco, assim estava o seu timbre. Tantas vezes a ouvi segredar-me ao ouvido. Tantas horas de ansiedade para que o fim de tarde chegasse, e o pôr-do-sol me trouxesse as tuas risadas e gracejos, as tuas mentiras e bafejos. E hoje, tive um arrepio!… A tua voz falou-me como outrora…mas estava longe!… Nem os teus dedos serpentearam pelo meu colo abaixo, nem  o teus bicos se entumeceram contra os meus, nem as nossas línguas se tocaram!… Nada aconteceu, nada me embriagou senão a terrível desilusão de perceber que estás tão longe! Desta vez, não foi o êxtase que me deixou prostrada, meio adormecida e corcovada. Foi a mágoa…a nostalgia, o vazio! E é assim, com este frémito desejo de não te perdido, que me deixo caída, abalada e confusa. Porquê, Laura??? Porque és tão importante para mim???


Agosto 8, 2008

Não te esqueças, marido, que para este final de semana está prometido um arraial de ternuras e carinhos. Sim, marido, tenho saudades! Porque perguntas??? Claro que tenho saudades!… Tenho saudades de me agarrares por trás, e em jeito de fera aprisionada, fingir que te fujo. Tenho saudades de admirar contigo um sítio bonito, e mostrar-te com o olhar que quero ser possuída por ti, nesse preciso instante e lugar. Iremos sem destino, sim! Sem destino, sem manual, sem pressas e sem vergonhas. Lembras-te? Quando me namoravas e comtemplávamos estupidamente as estrelas durante largas meias horas, para existir uma desculpa para fazermos sexo ao ar livre. Lembras-te??? Ah! Se pudesses ver este post! Poderias responder-me, sorrir-me e recordar os momentos que já vivemos. Se pudesses ver este post, perceberias que desejo estar contigo como dantes… quando ainda eramos tão jovens!… E terias a oportunidade de me desculpar os momentos que passo de mão em mão, sem que exista em ti uma culpa, ou em mim uma vergonha. Percebes, meu amor??? Percebes que nada mudou? Entenderás algum dia, que despertas a minha líbido de forma avassaladora, quer exista ou não, um ou outros corpos a encontrarem-se com o meu? Olha, meu amor… estive a pensar, e talvez seja bom também para mim, ter um final de semana completo contigo, fisica e emocionalmente. Gastarei toda a minha energia, contigo e para ti! Encharcar-nos-emos de beijos, escorregadios, molhados e febris, como gostas. E cuidadrei de ser a tua meretriz, como tantas vezes pedes, e que tanto gozo me dá a fantasiar. Pintaremos em cada lugar de paragem, um quadro de tesão. Pura tesão! Esqueçamos agora as formalidades a que nos sujeitámos, pois os nomes “marido” e “mulher”, travam a delícia da sedução, fazem escárnio do prazer carnal, e apelidam as coisas boas de “amor”. O amor é outra coisa! É a certeza de que me queres todas as noites, é a tua certeza de que continuo ao teu lado, e a minha de que o assim quero permanecer. Alinhas passar comigo os dois dias mais loucos das nossas vidas?


Sabes-me tão bem!…

Agosto 7, 2008

Para lá da linha onde me entrego, existe quase tudo! Um mar imenso, que assiste revoltado a todo o poder do nosso abraço. E um sol envergonhado, que se põe para não ver quanta energia colocas nos teus molhados beijos. Existe um violino, já gasto, que chora connosco as despedidas, e uma taça de vinho que preparo para nós, na vã esperança de nos deixar menos lúcidas. E existes tu! Estás lá sempre, voluntária e misteriosamente. Calma, sempre calma e observadora. Vês-me entrar, e preparas-te para a entrega pecadora e avassaladora. Dás-te toda, sem rodeios, e manobras-me como se eu fosse a corda dos instrumentos que pões a lamentar-se por nós.

Para lá da linha onde me consomes a intimidade, existe o meu olhar, que logo que toca no teu, te tira as rendas e as sedas, te curva o corpo já extasiado e faminto de tesão. Freneticamente nos incendiamos, como se a mistura dos nossos fluidos fosse o elixir da juventude. Depois rimos como perdidas, e tu, Laura, pareces-me uma menina vadia, que nunca teve dono nem freio. E como és deliciosa, Laura, com a tesão apagada, à mercê das carícias que vierem como acréscimo. Como és deliciosa! Os teus olhos são libelinhas que não param, sempre na descoberta de algo mais, sempre na procura de onde irás colocar as mãos a seguir… E tão bem tacteias a minha vergonha que outrora era escondida, e agora,  é fingida!

Para lá do sítio mágico onde fazemos dos nossos corpos teclas de um piano desafinado, existe a delícia da insensatez, onde me refugio e de onde não quero fugir. Sabe-me bem este amor animalesco, onde tudo é descomprometido e selvagem, descomplicado e solto. Sabes-me bem, Laura! Sabes-me tão bem!…


Deixa-te estar, Laura!

Agosto 6, 2008

Não vás embora dos meus braços, Laura! Deixa-te estar, e pernoita neles até ser quase dia. Enlaça-me pela madrugada fora, entre sorrisos deliciosos e falsas promessas! Deixa cair o teu xaile, para maliciosamente mo fazeres apanhar, e me prenderes com manhas e sorrisos. Sorri-me, Laura. Sorri-me durante cada segundo que a felicidade me premiar, e me oferecer a tua magnífica presença. Deixa-me despir-te devagarinho e escorregar por ti abaixo, descobrir a que sabe cada curva tua. Deixa-me deleitar-me com o teu arfar, e fingir que acredito nas tuas fidelidades. Deixa-me tactear o delicioso dourado da tua pele, e inventar nele mil texturas.

Não deixes o meu Verão pela metade, Laura! Metade de mim és tu…e a outra metade está adormecida, calmamente à espera que te vás embora, para reinar. Dá-me mais uns dias de luxúria. Deixa-me reinventar contigo tudo aquilo que descobrimos juntas e que tão sabiamente me segredaste ao ouvido. Deixas, Laura???


Lembrei-me de ti!

Agosto 5, 2008

Recordo! Recordo intensamente! Passa diante dos meus olhos um filme, tal qual a realidade que vivi. Saudades! Sinto saudades!!! Aquele momento, não tem mais retorno, não conseguirei viver nem mais um segundo, com aquela candura. Perdia-a contigo, fez esta semana um ano. Dia 2…lembras-te??? De salto bem alto, vestido preto, com decote malicioso, e ar altivo. Vi-te…reconheci-te de imediato! Eras tu aquele a quem tinha prometido entregar a minha fidelidade. pedi-te com voz firme: SEGUE-ME!!! Tremeste!!! Quem é ela? Bonita…elegante…mas fria! Tão fria!!!
Quarto alugado, espaço neutro, fachada de dominadora…coloquei musica. Primeiro a musica!!! Lembras-te??? Sempre fria!!! Tinha medo…que estava ali a fazer? Que sentiria??? Seria capaz???

A frieza era capa, uma forma de me achares menos fragiliza. Tocaste-me tão suavemente, que o meu lado meigo abafou a culpa, a vergonha, e deu lugar à devassidão consentida!

A entrega! Desenfreadamente nos entregámos! Foi num ápice! Suámos, resvalámos pelos lençóis brancos, manchámos vezes sem conta a brancura daqueles lençóis. Possuiste-me vezes sem conta! Uma…e outra…e outra… Não sobrou nada! Nada! Apenas a traição, a promessa de um segundo encontro, a repetição de um prazer carnal que me sabia bem. Tão bem! Repetimos mais uma vez… e da tal fidelidade, sobrou uma imagem, muito desvanecida. Esvaiu-se!!! Não a quero! Sabem-me bem as traições a que tão bem me habituaste.

Foste-me fiel. Prometeste o que cumpriste…quase nada, é certo, mas cumpriste! prometeste respeitar os meus limites, e não te esqueceste disso. Prometeste meiguice…e fizeste dela a rainha daquele aluguer.

Iniciate-me num percurso que não tem fim! Não sou mais a esposa que espera noites e noites o marido! Sou a que faz esperar…

Curto-te! Lembrei-me de ti…