
Tu já sabias que nunca houve entre nós cumplicidade. Nem desejo , nem amor! E sempre soubeste que nunca prendeste os meus sentimentos. Nunca os agarraste à paixão nem à tesão. E eles, vadios…andavam em teu redor. Pediram a tua piedade, imploraram pela tua paixão. Rodearam, o teu corpo já gasto pela traição, noite após noite. E tu impávido. Sim! E tu impávido! A dares vida ao capricho de não me possuíres. Inerte e paciente com a minha nudez. Mas o que tu não sabes… é que tudo isso terminou!!!
Lembras-te? Lembras-te ainda de quando me oferecia com o olhar triste e a esperança cheia? Lembras-te de quantas vezes recomecei para ti? E depois as coisas foram-se transformando…ou melhor: eu fui-me transformando! Melhor ainda: tu transformaste-me!!! Sim, a culpa é tua! Não quiseste ver que em mim havia vida. Não quiseste parar para perceber que nada é imutável. Acomodaste-te a um querer que era só meu.
Agora é tarde! Agora já não quero tudo aquilo que te pedia em voz baixa, sabendo que não haveria resposta. Agora já não anseio que me devores avidamente. Agora a indiferença é minha! A cama onde me resignava e chorava, onde suspirava e nada acontecia… aquela cama que tantas vezes acusei de ser gelo, e onde nunca recebi senão vazios e amarguras… é agora só tua. Repara bem! Olha pela primeira vez para mim, e tenta perceber que do que partilhei contigo ali, já nada existe! Nem as amarguras, nem os tormentos, nem cabem lá lamentos, nem torturas. - Outro veio em teu lugar e transformou tudo isso em indiferença.
Emudeceste tantas vezes os meus gemidos, e aumentaste a minha dor. Rasgaste o meu corpo e fechaste o meu peito com chaves de dor. Cobriste-me de nostalgia e pregaste-me com silêncios e desamor. Ofereceste-me apatia e vazios. Tudo isto deixou em mim…em nós… espaço para que viesse outro pegar-me pela mão e fazer-me estremecer.
Obrigada! Separaste-nos de tal forma…que ficou espaço para que eu pudesse, de facto, amar!!!
Publicado por anjodoentio 



Esta manhã o telefone tocou…e a tua doce voz ouviu-se do outro lado da linha. Meiga, meio rouca, como quem ainda não se deitou…ou dormiu pouco, assim estava o seu timbre. Tantas vezes a ouvi segredar-me ao ouvido. Tantas horas de ansiedade para que o fim de tarde chegasse, e o pôr-do-sol me trouxesse as tuas risadas e gracejos, as tuas mentiras e bafejos. E hoje, tive um arrepio!… A tua voz falou-me como outrora…mas estava longe!… Nem os teus dedos serpentearam pelo meu colo abaixo, nem o teus bicos se entumeceram contra os meus, nem as nossas línguas se tocaram!… Nada aconteceu, nada me embriagou senão a terrível desilusão de perceber que estás tão longe! Desta vez, não foi o êxtase que me deixou prostrada, meio adormecida e corcovada. Foi a mágoa…a nostalgia, o vazio! E é assim, com este frémito desejo de não te perdido, que me deixo caída, abalada e confusa. Porquê, Laura??? Porque és tão importante para mim???

